Entry: O Ano Saturday, March 26



Foi em 1969 que nasci. O dia ou o mês não tem importância para o relato das minhas memórias. Direi apenas que se tratava de uma época de sol um pouco mais quente, sorridente.
Esse foi um ano de acontecimentos como qualquer outro ano.
No entanto, teve um marco que o distinguiu até hoje:

- O módulo lunar Apollo 11 aterra na Lua e os astronautas norte-americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin são os primeiros homens a pisar o solo lunar.

Outros acontecimentos se sucederam ainda, que merecem algum relevo:

- Início do Festival de Woodstock, nos EUA, que durante três dias teve a participação de quarenta grupos musicais, reunindo 400 000 pessoas.
- Em Portugal, é introduzido na legislação nacional o princípio de "salário igual" para "trabalho igual" entre homens e mulheres.
- James Earl Ray é condenado a 99 anos de prisão após ser declarado culpado do assassínio de Martin Luther King.

E claro, nasci eu! Algum tempo antes, ainda na barriga da minha mãe, algo nos fez estremecer a todos, até a mim, dentro do seu ventre: um pequeno tremor de terra em Lisboa e arredores.
Nasci de um amor que perdura até hoje, mais de 30 anos volvidos. Fui a primeira rapariga deste casal, com um pai que suspirava por uma menina, no meio dos rapazes já nascidos, mas que pensava lhe sairia um rapaz, tal era a força dos pontapés na barriga da minha mãe. Acho que, na realidade, ele até nem se importaria que fosse mais um rapaz, pois a julgar por tal força nos pés, bem poderia ir parar ao seu Glorioso Benfica.

E foi nesse excelente ano que eu vi a luz do dia pela primeira vez e a história começou verdadeiramente.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Devo acrescentar agora que este texto foi escrito em Maio de 2004. Nessa data, não fazia ideia que esse amor viria a sofrer o drama da separação de duas pessoas.
O meu pai partiu em Setembro de 2005, talvez para um espaço melhor que este em que nos encontramos. Partiu, amando e sabendo-se amado.
A minha mãe ficou, com o mesmo amor dentro do peito, e as lágrimas da saudade.
Ela partiu cedo demais.
É sempre cedo demais para a separação definitiva de duas pessoas que se amavam/amam/amarão e que viveram uma vida em comum da forma como se prometeram "até que a morte nos separe".

   1 comments

severina
June 7, 2009   04:54 AM PDT
 
minha mae eu amo muiiiiiiiito

Leave a Comment:

Name


Homepage (optional)


Comments