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Sunday, March 27
Memórias I

As lembranças que tenho são bastante dispersas. Sei que era uma menina travessa, que fazia algumas das suas birras que, bem, segundo consta, até não eram assim tão poucas.
Tia, se estivesses aqui ao meu lado, poderias lembrar-te daqueles pormenores que sempre me contaste à medida que fui crescendo. Da próxima vez que estiver contigo, não me posso esquecer de te pedir para contares mais uma vez e, no meu livrinho anotar.
A maior parte das histórias da minha infância, por cerca dos 3 a 5 anos, aconteceram no Alentejo, onde ainda vive a minha tia, agora sozinha, pois o meu tio faleceu há 10 meses.
São histórias que guardo na memória com todo o carinho. São episódios que me fazem rir e pensar como eu era, custando a acreditar que fosse capaz de tais diabruras.
Devo acrescentar que, essas histórias acontecidas no Alentejo, foram fora da alçada dos meus pais, pois se fosse junto deles, elas nunca aconteceriam. Mas, como eles sempre dizem: a minha tia permitia-me tudo.
A primeira que me lembro é a de partir o vidro de uma porta de um local público. E porquê? Por birra! Nada mais a não ser isso. Mas, vamos por partes. Os meus tios trabalhavam à noite no bar da Casa do Povo de determinada aldeia alentejana. Durante os períodos em que eu estava com eles, todas as noites lá ía também até lá. O meu tio seguia primeiro para abrir o bar e eu ía com a minha tia um pouco mais tarde.
Quando lá estava uma das coisas que muito gostava era deitar-me no chão, como se o vestido que levava não passasse de um esfregão do chão. Claro que ralhetes não faltavam, mas como se tratava apenas de ouvir e não de levar uma boa palmada ou um castigo, eu lá continuava. Outros dos passatempos preferidos era ir para o quintal e pequeno jardim nas traseiras da Casa do Povo. Claro que, de noite, isso era impensável, a tia não deixava.
Numa dessas noites, depois de já ter deixado a roupa em lindo estado, nas minhas passeatas pelo chão, em busca talvez de formigas, nem sei, lá ouvi mais um raspanete. Decidi então que o idela seria ir para o quintal, ainda não satisfeita com as dores de cabeça que já tinha oferecido à minha tia. Claro que dali saíu um redondo não. Eu bem insisti junto da porta de vidro qye dava acesso ao quintal. Ninguém me ligou. Resultado: perna levantada, pé dentro da porta e vidro partido.
E assim fiquei satisfeita com mais um missão cumprida. De génio, não?
Eu era mesmo terrível e este é apenas um primeiro exemplo.

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Na data em que este foi escrito, também em Maio de 2004, fazia 10 meses que o meu tio havia falecido.
Agora, já decorreram um ano e oito meses desde a sua partida.


Posted at 12:04 am by Memórias
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Saturday, March 26
O Ano

Foi em 1969 que nasci. O dia ou o mês não tem importância para o relato das minhas memórias. Direi apenas que se tratava de uma época de sol um pouco mais quente, sorridente.
Esse foi um ano de acontecimentos como qualquer outro ano.
No entanto, teve um marco que o distinguiu até hoje:

- O módulo lunar Apollo 11 aterra na Lua e os astronautas norte-americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin são os primeiros homens a pisar o solo lunar.

Outros acontecimentos se sucederam ainda, que merecem algum relevo:

- Início do Festival de Woodstock, nos EUA, que durante três dias teve a participação de quarenta grupos musicais, reunindo 400 000 pessoas.
- Em Portugal, é introduzido na legislação nacional o princípio de "salário igual" para "trabalho igual" entre homens e mulheres.
- James Earl Ray é condenado a 99 anos de prisão após ser declarado culpado do assassínio de Martin Luther King.

E claro, nasci eu! Algum tempo antes, ainda na barriga da minha mãe, algo nos fez estremecer a todos, até a mim, dentro do seu ventre: um pequeno tremor de terra em Lisboa e arredores.
Nasci de um amor que perdura até hoje, mais de 30 anos volvidos. Fui a primeira rapariga deste casal, com um pai que suspirava por uma menina, no meio dos rapazes já nascidos, mas que pensava lhe sairia um rapaz, tal era a força dos pontapés na barriga da minha mãe. Acho que, na realidade, ele até nem se importaria que fosse mais um rapaz, pois a julgar por tal força nos pés, bem poderia ir parar ao seu Glorioso Benfica.

E foi nesse excelente ano que eu vi a luz do dia pela primeira vez e a história começou verdadeiramente.

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Devo acrescentar agora que este texto foi escrito em Maio de 2004. Nessa data, não fazia ideia que esse amor viria a sofrer o drama da separação de duas pessoas.
O meu pai partiu em Setembro de 2005, talvez para um espaço melhor que este em que nos encontramos. Partiu, amando e sabendo-se amado.
A minha mãe ficou, com o mesmo amor dentro do peito, e as lágrimas da saudade.
Ela partiu cedo demais.
É sempre cedo demais para a separação definitiva de duas pessoas que se amavam/amam/amarão e que viveram uma vida em comum da forma como se prometeram "até que a morte nos separe".


Posted at 11:57 pm by Memórias
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Memórias de Uma Vida






Memórias de Uma Vida
Apenas isso.
Serão pedaços de história.
De uma história de vida.
Uma vida que se mistura noutras vidas.
E trazem outras histórias.
Pedaços de mim que guardarei.


Posted at 11:53 pm by Memórias
Comment (1)